Sou sempre acordada por alguma mãozinha me alisando ou por algum choro. Não me contaram que um dia eu choraria de sono, de cansaço e de medo. Que eu oscilaria entre momentos lindos e momentos de desespero, de raiva. Que alguns dias seriam um sonho e que em outros eu me sentiria apagando incêndios a cada 5 minutos. Não me disseram que educar é difícil demais.
E que eu recitaria "Vai passar!" como um mantra, pra manter o minimo de equilíbrio e sanidade mental. Também não me disseram que ser mãe, numa sociedade que enxerga o pai como mero ajudante, é tarefa dificil e altamente solitária.Não me disseram que ouvir "Quem pariu Matheus que o balance" ia doer fundo. E no meio do medo, da solidão, do desafio, eu conheceria uma versão completamente nova de mim. Não me contaram, por fim, que vez ou outra eu choraria de saudades do que ainda não passou. Que eu olharia as crianças dormindo e o peito se partiria em milhões de pedaços aos lembrar que o crescer é inevitável. Que no meio de uma brincadeira a lágrima escorreria ao pensar que um dia eles não serão assim, tão meus. Ser mãe é a missão mais paradoxal que já recebi. A mais difícil, a mais demandante. A mais transformadora. A mais louca. E só me falaram sobre o dinheiro. Sabe de nada, inocente.
