terça-feira, 7 de abril de 2015

A CAMA DOS PAIS

Não sei onde vi esse texto, mas resolvi compartilhar aqui no Diário já que me identifiquei tanto. Fala sobre a maravilhosa e mais aconchegante cama de todas...A cama dos pais.  Confesso que até depois de bem grandinha cheguei a dormir com meus pais. Lembro de ir para a cama dos meus pais com mais constância quando eu tinha por volta dos 13 anos de idade.



Lembro que tinha muitos pesadelos, custava a dormir e naquela triste aflição eu chamava por meus pais até eles acordarem acenderem a luz do corredor e me guiarem até seu quarto. Nossa era só entrar e deitar no pé da cama que a paz chegava, o medo ía embora e o sono começava a tomar conta de mim.  Lembro que quando o sono demorava mesmo assim, eu falava: "pai, o senhor fica acordado até eu dormir??" e ele prometia que sim. (ai ai já vi aqui que as lágrimas não molham mais papel e sim teclado, mas vamos lá). Meu pai era meu herói, me defendia dos pesadelos, e seus super poderes era sua vigilância e sua  incrível e confortável cama. Jamais me esquecerei desses momentos, ele não dormia até certificar de que eu dormisse primeiro, mesmo sabendo que teria que acordar cedo para trabalhar...te amo pai. Vamos ao Texto.



por Rita Ferro Rodrigues


A cama dos pais tem um íman e cá para mim (ninguém me convence do contrário) tem uma magia soporífera, um misterioso pó de amor impregnado nas almofadas, que faz com que os filhos adormeçam imediatamente e que o pior dos pesadelos, o mais trepidante terror noturno, fuja a sete pés.

Na cama dos pais, o último refúgio dos medos, a paz é absoluta e total.

Ali chegam, levados por pais extenuados e vencidos, ou pelo seu próprio pé, transpirados e assustados, passarinhos a voar de noite aos encontrões pelos corredores da casa, até chegarem ao lugar dos lugares. Dois colos com lençóis macios e o cheiro dos progenitores. Caem que nem tordos a dormir, apaziguados.

Os pais fingem que se importam, na manhã seguinte: «Lá foste tu para a nossa cama! Quando é que aprendes a ultrapassar os medos e a dormir sozinho? Tens de crescer!», mas nem olham muito nos olhos dos filhos quando dizem estas coisas, com medo de que eles descubram que naquele breve regresso ao ninho, ao berço inicial, os pais se enchem de amor e ternura e também eles se confortam nas suas inquietações.

Um pescoço morno. Uma mãozinha gorducha no nosso cabelo. Um pé de regresso à costela da mãe. A respiração tranquila na fronha partilhada.

O desejo secreto de que o ninho fique assim para sempre. E que a manhã demore muito a chegar.

Que o misterioso pó de amor das almofadas preserve para sempre estas excursões noturnas de mimo que não são mais do que um inteligente prenúncio, de uma saudade imensa, dos melhores dias desta vida.







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